Header Unit

Negócios de futuro – Duas empresas inovadoras sediadas em Palhoça

Duas empresas palhocenses foram escolhidas para participar do programa de capacitação StartupSC, do Sebrae. Ao todo, foram inscritos 234 projetos, vindos de 26 cidades catarinenses, e a seleção das escolhidas se deu em função do potencial de mercado, modelo de negócio e perfil da equipe empreendedora. A SD Bank e a MinniSell estão entre os 20 negócios inovadores escolhidos. As atividades iniciaram no dia 7 de abril, e já fizeram a diferença para as empresas instaladas em Palhoça.

O Programa atua há quatro anos no estado e oferece ações de capacitação, inovação e mercado para empreendedores. O sucesso dessa metodologia é refletido no número de empresas nascentes que passaram pelas turmas do StartupSC e continuam no mercado: cerca de 64% ainda estão ativas em um cenário nacional em que 74% das startups não sobrevivem aos primeiros cinco anos, de acordo com estudo da Startup Farm. O programa já formou 120 empresas nascentes e impactou  mais de 500 pessoas, em 20 cidades catarinenses.

SD Bank
A SD Bank é uma fintech (empresa que usa tecnologia para propor serviços financeiros inovadores, focados nas experiências e necessidades do usuário). Ela oferece mais de 10 soluções financeiras, como pagamentos, transferências, emissão de boletos, cartão pré pago e cheque digital, sua grande aposta no projeto.
O cheque digital (SD Cheque) é um formato inovador de pagamento, que permite realizar transações financeiras no mesmo formato do cheque impresso tradicional, porém de forma digital.
Grande parte da população economicamente ativa no Brasil não possui acesso a serviços financeiros. Estima-se que esse número alcance cerca de 55 milhões de brasileiros. Até recentemente, o foco das grandes instituições financeiras eram pessoas das classes média e alta. Um exemplo são as enormes filas em bancos e lotéricas de pessoas que querem apenas pagar contas, operação financeira que pode ser realizada facilmente via smartphone. “Nós queremos gerar inclusão financeira. Há vários casos de dificuldades que pessoas de classes econômicas um pouquinho inferior têm de abrir conta em banco”, reflete Adriano Silveira, CEO da SD Bank, que iniciou suas operações em janeiro, mas deve ter o lançamento oficial em maio.
Não muito distante, as micro e pequenas empresas também têm dificuldade de acessar serviços financeiros. Além disso, essas empresas não conseguem dispor de alternativas de pagamento para seus clientes, pois as mensalidades e taxas das administradoras dos cartões são muito altas (em média 5% por transação), o que impacta no resultados financeiros.
Foi pensando em atender essas lacunas que cinco empreendedores se uniram e criaram o SD Bank. A missão é socializar o acesso aos serviços financeiros essenciais e empoderar consumidores e vendedores nas relações comerciais. “Queremos que as pessoas possam aproveitar o tempo com aquilo que realmente interessa a elas. Faremos nossa parte, menos burocracia, mais facilidade ao acesso aos serviços financeiros essenciais e por fim, permitir que cada estabelecimento decida se vai ou não pagar a taxa de risco. Os millennials, a conhecida geração Y, incorporam com mais facilidade as novas propostas em todos os setores. Nosso maior desafio será ultrapassar a barreira muitas vezes imposta pelas gerações anteriores, que por uma questão cultural ainda sentem dificuldade de adaptar-se ao novo. É uma questão de novos hábitos”, aponta Adriano, que mora na Pedra Branca, onde a empresa está instalada.
A startup oferece vários serviços, mas o CEO aposta no cheque digital, uma vertente, segundo ele, ainda inexplorada pelas fintechs. No Brasil, atualmente, são mais de 2 milhões de cheques emitidos por mês. “Isso é um décimo do volume de transações de cartão de crédito e débito, porém, o volume financeiro desses cheques é três vezes superior à soma de todas as transações de cartão de crédito e débito”, informa, citando dados do Banco Central.
Adriano acredita que o ineditismo da inovação em uma ferramenta financeira tão tradicional como o cheque, aliado ao aspecto de inclusão social e de empoderamento do projeto (não há cobrança de mensalidade, por exemplo, como nos bancos), tenham influenciado na decisão dos selecionadores do programa. “É um mercado em que ninguém nunca atuou, como o cheque, ninguém nunca quis inovar, e a gente viu isso como uma oportunidade; e o Startup SC viu isso como uma vantagem pro mercado, pros estabelecimentos; e o Sebrae ajuda bastante nessa questão de empreendedorismo. Acredito que um dos motivos é o nosso propósito de inclusão e empoderamento. Meu propósito é bonito, e está acima de qualquer coisa que eu faça. Isso eu deixei claro no momento em que a gente se inscreveu no processo de seleção”, destaca.
Após cinco meses de capacitação, as empresas selecionadas ainda farão uma visita ao Vale do Silício, nos Estados Unidos, para conhecer o que os empreendedores mais inovadores do mundo estão fazendo e quem sabe prospectar negócios. “Esse programa vai dar mais maturidade e mais credibilidade para o nosso negócio”, analisa Adriano. “É um baita dum selo de credibilidade”, conclui.

MinniSell
A MinniSell surgiu no mercado em março de 2016 como a primeira plataforma de e-commerce mobile com tecnologia Progressive Web App (PWA), que deve substituir o atual site mobile responsivo. O serviço permite que o empreendedor crie sua própria loja virtual personalizada com uma experiência de usuário rápida, intuitiva e direta, que possibilita aos consumidores finalizar uma compra em apenas 42 segundos, sem cadastros demorados.
Com funcionalidades de aplicativos nativos, a tecnologia PWA oferece a possibilidade de instalar a loja virtual no smartphone dos consumidores sem consumir espaço no dispositivo, além de permitir navegação offline. A tecnologia vem sendo adotada por gigantes como Alibaba, Forbes, The Washington Post, Flipkart, que substituíram seus sites responsivos por aplicativos progressivos e notaram aumentos significativos em suas principais métricas.
De acordo com os fundadores da MinniSell, Evandro Guedes e Marcos Baldessari, a plataforma foi desenvolvida para que o consumidor possa concluir a compra sem os famosos obstáculos que o checkout de plataformas tradicionais impõem em um dos momentos cruciais da experiência de compra. Outras funcionalidades da MinniSell são as integrações da plataforma com redes sociais como o compartilhamento direto de produtos para o Instagram e WhatsApp, canais de vendas fortemente utilizados por micro e pequenos empreendedores no Brasil.
Foi assim que nasceu a empresa, em 2014, quando Evandro foi procurado por uma cliente que vendia muitos sapatos através do Instagram e do WhatsApp. Ela queria estabelecer seu e-commerce em uma plataforma que fosse tão ágil quanto os aplicativos para celular. Evandro não encontrou essa agilidade nos serviços disponíveis e decidiu começar do zero. “Pensei: legal, já que ela não usa o computador, tá sempre no celular postando tecnologias novas, pensei em criar uma plataforma do zero, uma coisa que fosse totalmente pelo celular, tanto a administração da loja virtual quanto a própria venda em si”, explica.
Os fundadores perceberam que havia uma grande demanda no mercado por esse mesmo tipo de serviço e resolveram levar a solução para outros clientes. Sem saber, estavam trabalhando em uma “frente” que viraria febre mundial rapidamente. Dois meses após o lançamento da MinniSell, o poderoso Google anunciou, em um evento nos Estados Unidos voltado para desenvolvedores, o apoio a uma nova tecnologia emergente, denominada PWA. “Isso vinha ao encontro do que estava sendo desenvolvido pela nossa empresa aqui no Brasil, como a experiência de usuário mobile-first, carregamento rápido das páginas com baixo uso de dados, sem a necessidade de aplicativos. Com a evolução da tecnologia, aproveitamos os principais recursos e disponibilizamos em nossa plataforma para nossos clientes”, lembra Evandro.
A plataforma é direcionada principalmente para micro e pequenas empresas, mas no final de 2016, o maior e-commerce de moda da América Latina contratou os serviços da MinniSell para desenvolver o PWA da marca. E as primeiras atividades no programa do Sebrae já ajudaram a empresa a definir um novo rumo: ao invés de “brigar” com as grandes plataformas, por que não unir-se a elas? “Em dois dias de programa, já mudou toda a nossa estratégia”, explana Marcos. “Da forma como a gente atua hoje, eles são concorrentes, mas a gente está fazendo um pivô para que eles se tornem parceiros nossos, ao invés de concorrentes, e que a gente atenda essa parte de mobile deles”, observa Evandro.
Os empreendedores trabalhavam em Florianópolis e escolheram Palhoça para sediar a MinniSell (está incubada na Pedra Branca) em função das facilidades oferecidas pela Prefeitura. “A gente escolheu Palhoça pensando nisso também. A gente pensou em tecnologia e a gente escolheu aqui porque tem o lado burocrático, que são as notas fiscais, os impostos, e Palhoça tem o melhor sistema da região”, elogia Marcos. “Palhoça disponibiliza pra gente um sistema no qual a gente consegue fazer uma automatização em que o cliente contrata nosso serviço, faz o faturamento e a nota fiscal vai automaticamente pra ele, sem a gente precisar colocar a mão ali no meio”, acrescenta Evandro.

0 Comentários Participe da conversa →


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *