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Hoje nós temos muito aluguel, eu quero sair do aluguel

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Confira a sequência da entrevista exclusiva que o Palhocense fez com o prefeito Camilo Martins. A primeira parte, publicada na última edição, que marcou as comemorações dos 123 de emancipação política do município, o leitor pode conferir no link:
goo.gl/FgmURV.

Jornal Palavra Palhocense – Palhoça está entre os municípios com maior estatística de criminalidade do estado. Como o senhor vê essa questão do crescimento da violência e quais as principais medidas de combate a isso? Existe algum pedido de reforço sobre o governo do estado ou alguma solução local?
Camilo – A questão de segurança é de responsabilidade do estado, mas eu, como prefeito, tenho que estar atuante. Eu fui o prefeito que mais trouxe policiais para o município de Palhoça. Sempre fui bem atendido, vendo o cenário do estado. Temos um trabalho do Claudio Monteiro na Secretaria de Segurança Pública. E conseguimos fazer uma coisa que foi a integração da Prefeitura com a PM, através do comandante Paulo Sérgio (Paulo Sérgio Souza), e da Polícia Civil, com a delegada Beatriz (Beatriz Ribas). Há integração, há uma conversa e em virtude disso nós fizemos algumas coisas para melhorar alguns eixos. Nós criamos os agentes de trânsito, para a Prefeitura cuidar do trânsito e em contrapartida tirar os policiais militares para aumentar o número de policiais atuando no crime propriamente dito. E hoje eu quero aqui, através do jornal, dizer para as pessoas que os agentes de trânsito estão multando as pessoas que cometem delitos. As pessoas precisam começar a olhar que os agentes de trânsito têm regras, que existe uma lei que está sendo cumprida, porque essa fiscalização que foi criada é para melhorar a segurança pública. Estamos também investindo na central de monitoramento. Nós vamos adquirir 60 câmeras de videomonitoramento para fechar as entradas e saídas, melhorando a inteligência da segurança pública. Nós estamos trabalhando na reconstrução do batalhão da Polícia Militar. Eu tenho dois pedidos agora para o governador: que nós possamos contratar policiais militares na Prefeitura, que tem que ter uma mudança na lei estadual, e o deputado Gelson Merisio (PSD) está com uma lei de que policiais na ativa possam ser contratados fora do expediente e o município de Palhoça está disposto a fazer essa contratação para que a gente enfrente de forma muito direta a questão da criminalidade. Nós temos também que cuidar da educação e de tudo que envolve. Nós estamos economizando em muitas coisas para esse investimento, a insegurança está aí, os índices aumentaram e a gente não pode esconder essa realidade.

JPP – Um dos eixos principais das suas propostas esteve na educação. O senhor falou em zerar as filas de espera por vagas nas creches e em um projeto de Ensino Fundamental em tempo integral. Mas a população cresce muito com os loteamentos novos, com este recentemente inaugurado na Guarda do Cubatão. Como equacionar o crescimento da cidade com a oferta de infraestrutura?
Camilo – Infelizmente, o poder público não consegue acompanhar a iniciativa privada. Eu tomei algumas medidas através de decreto para controlar o crescimento da cidade. Empreendimentos de imóveis menores, com muitas unidades, têm que ter autorização do comitê gestor e nós só estamos autorizando se tiver uma contrapartida social. A Guarda do Cubatão era uma comunidade pacata, uma área rural, nós tínhamos que ter no mínimo um novo posto e uma nova creche. As pessoas vêm, constroem, vendem e vão embora. Então esses empresários, se não derem contrapartida para o município, não vão construir empreendimentos de unidades menores. É uma decisão política para controlar o crescimento. Nós não queremos o inchaço para dizer que nós temos mais de 300 mil habitantes. Nós estamos enfrentando isso. Essa questão da creche é uma luta muito difícil, porque as pessoas estão vindo morar em Palhoça e nós não estamos conseguindo atender a demanda de vaga de creche. E isso está acontecendo em vários municípios. Por conta da crise, a mãe que vai trabalhar acaba procurando mais vagas de creche. Nós estamos com três unidades em construção com problemas com a empreiteira que não tocam a obra, em São Sebastião, no Jardim Eldorado e no Laranjeiras, no Rio Grande. São obras inacabadas com a mesma empreiteira, nas três. Ela está notificada, multada e alega que o governo federal não repassa o recurso. Nós estamos estudando uma contrapartida social para que se termine essas creches com algum empresário privado.

JPP – Cultura: há um consenso na cidade de que falta uma estrutura de cultura, tanto no aspecto físico quanto no aspecto de apoio a movimentos culturais. Havia a intenção de transformar a antiga prefeitura, hoje prédio da Assistência Social, em um centro cultural. Essa ideia vai adiante? Há alguma outra proposta na área da cultura?
Camilo – Esse é um compromisso meu, que vai acontecer, que se transforme aquele prédio histórico em um centro cultural, pra que haja exposição e levar a fundação de cultura do município para esse prédio. A arquitetura já fez a modelagem, e eu solicitei que a gente fizesse um pequeno teatro. Nós estamos com falta de recurso, não dá pra investir mais se está faltando educação, mas neste momento de crise, como políticos, nós temos que tomar algumas decisões e saber dizer não e sim na hora correta. A grande novidade é a construção de uma sede da Prefeitura, e nela nós queremos ter um teatro municipal interligado e uma biblioteca. Nós estamos contratando agora, com licitação nos próximos 60 dias, uma empresa pra fazer um projeto, para daí fazermos uma proposta que provavelmente vai ser uma parceria público-privada, em que a pessoa constrói e o município, em determinado período, paga essa obra. Hoje nós temos muito aluguel, eu quero sair do aluguel. Estamos com uma equipe só trabalhando nisso e o meu sonho é poder inaugurar na minha gestão. É difícil, é uma obra que custa caro, mas trabalhamos muito. Em virtude da crise, parou e agora queremos avançar de novo.

JPP – Em termos de mobilidade, quais são os principais investimentos da Prefeitura para diminuir as filas, especialmente nos horários de pico na região central do município? A obra da Avenida das Torres desafoga o trânsito nesse trecho?
Camilo – Nos últimos 10 anos, não tinha sido feita uma obra que fosse preocupação de mobilidade, a não ser os novos loteamentos que se construíam em que se rasgavam as ruas. Nós fizemos a ligação Pedra Branca-Pagani, Pagani-Caminho Novo; estamos fazendo a ligação Nova Palhoça-Rio Grande, São Sebastião-Bela Vista; a Avenida das Torres; estamos projetando a Avenida das Universidades, que provavelmente conseguiremos no fim deste ano; diversas obras no quesito de mobilidade. Tem duas rótulas licitadas no Nova Palhoça. Porém, todas essas obras se tornam prejudicadas em virtude da BR-101. Enquanto estiver parada do jeito que está, e eu luto para uma terceira faixa e pra que tirem aquela lombada eletrônica da BR, temos o nosso trabalho prejudicado. Acho que são questões pequenas, que dão resultado. A cidade era projetada como escama de peixe, todos os bairros tinham que vir na marginal. O Pagani não se comunicava com nada, hoje nós estamos com Pedra Branca, Caminho Novo, estamos trabalhando para fazer a comunicação com Bela Vista e São Sebastião. São obras que não se percebem como um todo, mas as pessoas que moram in loco percebem essas melhorias.

JPP – Havia uma previsão de inauguração da Avenida das Torres para agora, no aniversário do município. Como está essa questão? Há alguma nova previsão?
Camilo – A obra estava licitada com início em outubro de 2015 e término em novembro de 2016. Consiste em três etapas: a primeira está pronta, no Jardim Eldorado; a segunda, da Prefeitura ao Passa Vinte, o prazo de conclusão está previsto para o dia 30 de abril; e a terceira liga o Passa Vinte ao Eldorado, com a marginal da 101, ligando à primeira etapa. Esta última etapa atrasou por dois motivos: questões técnicas da obra, sobre o terreno, que não estavam previstas, e desapropriação. Nós já temos a emissão de posse, mas estamos em negociação com os moradores. Após os processos administrativos, a previsão é de mais três ou quatro meses.

JPP – O senhor também falou da intenção de pensar nos outros modais. Quais as ações estão sendo tomadas para aumentar o número de horários do transporte público e incentivo a outras formas de locomoção?
Camilo – O dia que tivermos faixas exclusivas de ônibus de Palhoça a Florianópolis, e quando tivermos um processo licitatório em conjunto, as pessoas vão utilizar mais o transporte público. Hoje o ônibus é demorado, não é eficiente, e todo mundo trabalha muito pra comprar uma moto ou um carro, pra poder ir de carro. Tem que ser o inverso. Nas grandes cidades do mundo, as pessoas usam transporte público. Em Nova York, 75% das pessoas não possui veículo, todos eles trabalham com transporte público, porque lá é eficiente, metrô, ônibus, táxi. Aqui nós temos modal, mas precisamos de um esforço conjunto. O nosso contrato é da década de 1980, encerrou ano passado. Há um esforço para um lançamento de um novo edital conjunto com os outros municípios. O de São José acabou em 2015, Santo Amaro e Biguaçu não têm, então nós estamos em um momento propício para fazer essa licitação de forma conjunta e integrar os municípios. E quem sabe entrar aí o transporte marítimo.

Foto: Norberto Machado

Por: Elaine Manini

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